Só por hoje

Hello, pessoal!

Como anuciamos no último post, a disciplina COM104 está chegando ao fim em 2014.1, então que tal fazer uma retrospectiva dos assuntos abordados no blog?! Vai ser legal. Resolvemos não apontar post por post, pois ficaria chato e mecânico, então fizemos um texto, digamos, de fechamento. Antes, porém, vamos mostrar uma reportagem do Fashion Rio 2012 (é meio antigo, mas é interessante):

 

Moda é coisa de gente moderma, falamos isso inúmeras vezes nas postagens. Moda tem a ver com novidade, e essa qualidade dos tempos só apareceu por aí a partir dos séculos XV, XVI. Se considerarmos apenas a questão do vestuário (e, que fique bem claro, a moda está relacionada com o estilo de vida em geral) talento, criatividade e um toque de elegância são coisas essenciais para se estar no meio da moda.

O professor André Lemos diz que não é possível pensar comunicação sem tecnologia: há technè (o artefato faz o homem à medida que ele os manuseia) por trás de um simples diálogo entre duas pessoas. Moda e comunicação são dois elementos indissociáveis também, pois você comunica seu estilo através das roupas que veste, mas também da música predileta, dos lugares que frequenta, do modo de falar, enfim, da tribo que participa. Para estar na moda é preciso ser cool e ser cool não é somente ir na onda, é estar atento aos sinais, observar. Descobrimos logo no começo da disciplina que o termo inglês serendipty, algo como ir de encontro ao acaso, é fundamental para o profissional de moda, por exemplo. As coisas estão aí para serem descobertas, mas é preciso saber observar. Desde o estilista ao coolhunting, aqueles envolvidos no mitiiê da moda precisam estar, a todo o momento, abertos à inspiração.

Contudo, não vamos esquecer que a indústria poderosa movimenta as estações e muito dinheiro em um eterno ciclo de  retroalimentação. O que é “in” hoje amanhã já não é mais e daqui a dois anos ou 20 pode voltar a ser. A obsolescência não é um movimento natural entre as coleções: é ela quem faz a roda do consumo girar. A moda está para a mídia e a mídia está para a moda: este é outro elemento importante na engrenagem. A moda está na mídia – não é por acaso que tem tanta blogueira fazendo comercial para essas marcas famosas de maquiagem, vestuário, etc.

A moda está na rede, do punk ao cyberpunk, atualização contrapondo-se à virtualização. A rede faz e se desfaz rapidamente assim como a moda, ambas só fazem sentido quando os pontos se ligam e se intercruzam no espaço. Moda para vestir, para falar e denunciar, para articular e movimentar, sempre para aglutinar os dispersos na multidão. Não importa seu tamanho, não importa em que time joga, se seu blog está na rede ou sua manifestação na rua, o importante é dar o recado. Enfim, a moda é híbrida, democrática ela nunca vai ser isso ou aquilo, sempre em constante evolução.

E por aqui vamos ficar, só por hoje.

O maior espetáculo da terra!

Oi gente! Que pena, esta é a última semana de posts da nossa matéria COM104 e o semestre já está acabando! Mas não devemos nos preocupar, este blog terá continuidade e ainda vamos tratar sobre muitos outros temas ligados à moda, e claro, à comunicação e tecnologia! Para “fecharmos” com chave de ouro este semestre tão bacana, já trazemos um vídeo babado para vocês!

 

 

O tema da semana é Comunicação Organizacional, e, vinculando com a nossa vertente (Moda!), nada melhor do que falarmos sobre a Sociedade do Espetáculo. Segundo Gui Debord, “o espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas mediadas por imagens”. O teórico francês afirmava que nas sociedades onde reinam as modernas formas de produção (capitalismo), a representação é a causa e o efeito desejado nas interações sociais. É como se o espetáculo suprisse a necessidade do homem de preencher a vida cotidiana com signos fabricados pelos meios de comunicação de massa.

O “fetichismo da mercadoria”, a própria transformação do corpo em objeto de consumo, “o fabuloso mundo das celebridades”, enfim, tudo é transformado em grande show.

Complementando, no artigo “A imagem da moda muito além da sociedade do espetáculo” de Jociele Lampert, ela diz que “o sistema estético da moda torna-se alvo de apresentações complexas, pois personificam significados que emergem por meio de interpretações com relação do objeto que é representado e sua representação na sociedade – a imagem da moda produz manobras que conduzem a padrões de beleza idealizados e estereotipados. Por meio do inter- relacionamento da imagem da moda com as artes visuais, ou seja, entre a cultura de massa e a arte, novos significados poderão surgir.”

Na coleção Outono Inverno 2014 da semana de moda de Paris, a Dior arrasou com uma decoração de nada menos que 150 mil orquídeas revestindo do chão ao teto os ambientes do Museu Rodin de Paris. Há 2 anos atrás, a marca lançou uma coleção de Outono Inverno com a mesma ideia de flores, mas de várias espécies (rosas, orquídeas, peônias e dálias). Veja abaixo algumas fotos e um vídeo dos bastidores de 2012.  Saiba mais.

Fonte: Blog Andrea Rudge

Fonte: Blog Andrea Rudge

Fonte: Blog Andrea Rudge.

Fonte: Blog Andrea Rudge.

 

Outra marca que bombou na temporada de desfiles de outono inverno 2014 foi a Dolce & Gabbana. Bem, eles escolheram a ilha paradisíaca de Capri, na Itália para fazer a performance. As modelos e todos os convidados chegavam de barco ao restaurante mais famoso do lugar, o La Fontelina.

O Cenário. Fonte: Blog Moda It

O Cenário. Fonte: Blog Moda It

A modelos. Fonte: Moda It

A modelos. Fonte: Moda It

 

Bom, e o que há por trás de um desfile? Bem, há muita coisa em jogo: dinheiro, fama, publicidade, autonomia criativa, valores… (estes últimos mais subjetivos). O objetivo do evento é, também, expressar a pulsão criativa do estilista. Uma das referências no campo da espetacularização da moda é a curadora Ginger Gregg Duggn no livro ‘O Maior Espetáculo da Terra: os desfiles de Moda contemporâneos e sua relação com a arte performática’ (Fashion Theory, ed. Brasileira, vol. 1, número 2, 2002, pp. 3-30), ela fala sobre como a trilha sonora, as cores, as luzes, o espaço no qual a passarela é montada e a performance das modelos fazem com que, atualmente, os desfiles se assemelhem a peças de teatro.

site da pós-graduação em moda da Universidade Anhembi-Morumbi traz o exemplo da artista “Vanessa Beecroft, que já realizou performances com mulheres nuas ou vestindo apenas sapatos de salto alto e lingerie Gucci, como aconteceu no museu Guggenheim de Nova York em 1998 (Duggan 2002: 4). Outro exemplo é o trabalho polêmico do artista Matthew Barney, criador do ciclo Creamaster, apresentado em 5 partes e em diferentes cidades do mundo. No ciclo de número 3, Barney apresentou uma performance no museu Guggenheim de Nova York que foi filmada e é exibida em pequenas salas de exibição de museus pelo mundo afora. Esta seqüência foi apresentada, por exemplo, na Pinacoteca do estado de São Paulo no início de 2004. Em Cremaster 3, o artista usa aspectos da Moda como uso de roupas tradicionais, próteses transparentes e fantasias de coelhinhas (semelhantes às da Playboy) para tornar ainda mais evidente a transformação corporal como um componente marcante da sociedade de consumo.”

Segundo Cristiane Gruber e Sandra Rech, o desfile, entre todos os outros elementos da moda, tem a ideia de transmitir ao público consumidor o conceito da marca e do estilista. Apresentando as peças de forma lúdica, o desfile de moda busca despertar no expectador a identificação com “a filosofia” do criador e acima de tudo vender, porque a publicidade está em todos os aspectos: da roupa e maquiagem, aos convidados da primeira fila. Ainda de acordo com o artigo de Jociele Lampert, “a imagem de uma marca, por exemplo, constitui um cenário conceitual que atrai pelo desejo e pelas histórias que a elas são atribuídas.”.

A cada lançamento, os desfiles de moda precisam inovar para mostrar criatividade e manter a atenção do público àquela marca. Por exemplo, o estilista inglês Alexander McQueen apresentou, em 1999, a coleção de primavera em um armazém de transporte. Entre as modelos, uma desfilou com uma perna mecânica, devido a uma amputação que tinha sofrido.

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Fonte: Revista Glamour 

Esperamos que tenham gostado da nossa jornada! Continuaremos com muito mais assuntos espetaculares para vocês!

Até a próxima!

Quer dançar?

No último post falamos sobre os rolezinhos e como eles ressignificam os lugares nos quais acontecem. Hoje, falaremos um pouco mais sobre os flash mobs (que foram citados no último post).

De acordo com o nosso tema da semana que é Tecnologias Moveis e mobilidade, vamos falar sobre um evento que virou moda, o Flash Mob. Você sabe o que significa? Já ouviu falar? Ou já participou de algum?
Para começo de conversa, você sabe o que é Tecnologia Móvel? É toda tecnologia que permite ao usuário conexão enquanto se movimenta, ela é uma revolução que está modificando a vida das pessoas. o seu cotidiano e a cada dia se torna mais necessária, como opção para facilitar tarefas particulares, mas também uma oportunidade de melhora na gestão de negócios, podendo integrar dispositivos móveis com sistemas de gestão e e-bussiness.

Flash mob. Essa palavra já caiu na boca do povo, o termo é a abreviação de “flash mobilization” em inglês, que significa mobilização relâmpago. O nome já diz praticamente tudo, funciona assim: pela internet, um grupo de pessoas marca uma aglomeração instantânea em um espaço público. Lá, eles fazem uma ação combinada, geralmente uma coreografia, e depois se dispersam de preferência também de forma rápida. No mundo inteiro, flash mobs vem ganhando cada vez mais aspectos políticos e não apenas para mudar a rotina ou modificar o meio urbano.

Fonte: GC Marketing Services.

Fonte: GC Marketing Services.

 

Segundo a Wikipédia, o primeiro mob de que se tem notícia foi organizado por um jornalista chamado Bill Wasik na ilha de Manhattan (leia mais), através de um e-mail enviado a cerca de 50 pessoas. O endereço era themobproject@yahoo.com.br. A idéia era que os convidados se encontrassem em frente à loja Claire’s Acessories e fizessem alguma coisa espontânea, porém a dona da loja foi avisada com antecedência e chamou a polícia, então o evento não aconteceu.

O segundo mob também foi organizado por Wasik, em 2003, mas para evitar o cancelamento ele distribuiu flyers pedindo que as pessoas se encontrassem em lugares próximo à loja Marcy’s (onde o evento aconteceu) para receber as últimas instruções. Daí cerca de 100 pessoas se reunião em torno de um tapete luxuoso da loja no que elas denominavam “tapete do amor”.

 

Flash Mob das almofadas em Salvador. Fonte: Intermídias.

Flash Mob das almofadas em Salvador. Fonte: Intermídias.

A popularização do movimento deu-se principalmente pelo sucesso da Internet, pois as pessoas gostaram de flash mob por ter um componente online, permitindo-as verem as comunidades virtuais manifestarem-se fisicamente e literalmente além disso a mídia ajudou a espalhar o flash mob, através imprensa taxando-o como movimento.

A rua é o local onde se cria um mundo prático e sensível a partir de gestos repetitivos. Há brechas no cotidiano que abrem espaço para o criativo e para o virtual. A rua não é somente lugar do cotidiano irredutível, mas também aquele em que se formulam problemas, portanto, o lugar da ação. Nesse contexto, pode-se, através da rua, apreender o imprevisto, a improvisação, o espontâneo. Isso significa pensar o espaço urbano enquanto evento. Aqui a rua representa a cotidianidade na nossa vida social, o lugar de passagem, de interferências, de circulação e de comunicação, ela torna-se, por uma surpreendente transformação, o reflexo das coisas que ela liga. Ela torna-se o microscópio da vida moderna. Aquilo que se esconde, ela arranca da obscuridade.

 

Flash Mob gospel em São Paulo. Fonte: O Diário.

Flash Mob gospel em São Paulo. Fonte: O Diário.

Veja bem, alguns mobs são famosos e recorrentes no mundo inteiro como o Pillow Fight (mob dos travesseiros) e o sabway party (mob do metrô). O record de pessoas em um flash mob aconteceu em Chicago, quando o grupo Black Eyed Peas reuniu 21 mil “convidados” para celebrar a 24º temporada do programa de Oprah Winfrey na tv. Veja o vídeo abaixo.

Flash Mob de dança do ventre em Sergipe. Fonte: Senotícias.

Flash Mob de dança do ventre em Sergipe. Fonte: Senotícias.

Alguns flash mobs são bem interessantes, veja abaixo alguns dos nossos achados na rede:

Esse aqui aconteceu no Shopping Iguatemi em Salvador.

E esse em Coimbra.

 

Participantes do flash mob organizado pelo coreógrafo Fly. Fonte: dancecomfly.

Participantes do flash mob organizado pelo coreógrafo Fly. Fonte: dancecomfly.

Por hoje é só isso, até a próxima.

Rolezinhos: a mobilidade social

Ei, pessoas! Já falamos aqui que a moda é constituída de um monte de coisas ressignificadas e que tudo depende do uso que se faz dela. A geografia tem alguns conceitos que combinam com este assunto, por exemplo, o de espaço. Segundo GOMES (2002 p172) “o espaço compõe-se pela dialética entre a disposição das coisas e as ações ou práticas sociais”. Para Milton Santos, ele é um conjunto indissociável de sistema de objetos e sistema de ações, formas existentes a partir dos usos e significados a elas atribuído.

Algo que virou moda há algum tempo foram os rolezinhos, fenômeno que deriva da utilização da rede social Facebook. Segundo a Enciclopédia online Wikipedia,  “Rolezinho (diminutivo de rolê ou rolé, em linguagem informal brasileira, significa “fazer um pequeno passeio” ou “dar uma volta”) é um neologismo para definir um tipo de flash mob ou coordenação de encontros simultâneos de centenas de pessoas em locais como praças, parques públicos e shopping centers. Os encontros são marcados pela internet, quase sempre por meio de redes sociais como o Facebook.” Veja, rolezinho é um ótimo exemplo de personificação do lugar. Você vai ao shopping, sobretudo, para dizer que foi. Você territorializa, minimamente, aquele espaço com signos individuais e símbolos mediatizados.

 

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Fonte: Site Uol

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Fonte: Site Meio Norte

Para marcar um Rolezinho, é utilizada a ferramenta “eventos” do Facebook. Alguém cria o evento, convida as pessoas e marca o ponto de encontro no shopping e o horário. As pessoas que confirmam geralmente se esperam no local determinado e quando começa a se formar um grupo com um número significativo de pessoas, eles começam a passear pelos corredores. Geralmente são adolescentes, moram em bairros periféricos e gostam de postar, simultaneamente, fotos de selfies nas redes sociais.

 

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Fonte: Site Datasafe

rolezinho-no-mauá-plaza-shopping-renato-mendes-futura-pressFonte: Blog Radar On-line

 Assista a essa charge super divertida, criada por Maurício Ricardo sobre um diálogo de Dilma, um interprete e um dos líderes dos Rolezinhos.

http://charges.uol.com.br/2014/01/21/cotidiano-pra-entender-o-movimento/

E não podíamos deixar de comentar o look que as Rolezeiras escolher para “colar” nesses encontros! “Short, tomara-que-caia e melissa”, diz uma delas nessa reportagem, publicada no dia 20 de janeiro desse ano, para a Uol Notícias. Elas querem “zoar”, paquerar e “arranjar alguém bonito” e para isso elas procuram estar na moda e sensualizar. Segundo outra Rolezeira, o “Gato do rolé” tem usar uma bermuda branca, um Nike Shoks, uma camisa da Hollister e um boné.

http://http://tvuol.uol.com.br/video/voce-conhece-as-rolezeiras-descubra-quem-sao-e-o-que-pensam-essas-meninas-04024E9B3162CCC14326/

Infelizmente existem jovens de má fé que se aproveitam desses encontros para roubar e tumultuar. Quem sofre com isso, não são somente os seguranças e os outros frequentadores, mas a outra porção de adolescentes que querem apenas se conhecer e sair das redes sociais nas tardes do final de semana!

Provavelmente a decisão de marcar em shopping é pensando nas vantagens que esses locais oferecem: são climatizados, há praças de alimentação e internet wifi. O que tem de errado? Que venham mais Rolezinhos, que os jovens saiam para se conhecer e paquerar, não há nada de mais saudável.

Na moda e no gol

Pois é, minha gente: a copa tá aí! E mesmo que você não goste de futebol ou esteja muito indignado com os estádios superfaturados e obras intermináveis, não dá para passar imune aos acontecimentos. A indústria da moda, por exemplo, está aproveitando o momento para lançar muito verde e amarelo nas vitrines, na maquiagem e, claro, nas unhas!

Fonte: Capricho

Fonte: Capricho. Veja mais aqui.

O importante é ser criativo. Fonte: Sherazade.

O importante é ser criativo. Fonte: Sherazade.

Já que nosso assunto é moda e comunicação, não poderíamos deixar de comentar sobre a copa. Já falamos em outros posts sobre essa característica do ser humano de se unir aos pares. O grande evento pelo qual estamos passando volta a nos lembrar que não é só vestir as cores da bandeira, é usar nossas cores para torcermos juntos. E estar com todo mundo é compartilhar, a essência da moda e da informação. As empresas desse setor reconhecem no público feminino suas maiores aliadas, afinal, qual mulher não quer estar por dentro das tendências?

Outra da Capricho.

Outra da Capricho.

As cores nos acessórios trazem uma idéia mais casual ao look, dizem que é mais elegante do que ficar colorida dos pés à cabeça. Fonte: Capricho.

As cores nos acessórios trazem uma ideia mais casual ao look, dizem que é mais elegante do que ficar colorida dos pés à cabeça. Fonte: Capricho.

As estampas vieram com tudo no outono inverno, e agora estão com as cores da bandeira. A foto é da Capricho.

As estampas vieram com tudo no outono inverno, e agora estão com as cores da bandeira. A foto é da Capricho.

As marcas de esmaltes lançaram coleção com as cores da bandeira brasileira e as manicures tem bastante trabalho. Fonte: Capricho.

As marcas de esmaltes lançaram coleção com as cores da bandeira brasileira e as manicures tem bastante trabalho. Fonte: Capricho.

 

Para entrar no clima, O Boticário fez um desafio entre 4 blogueiras para que o público escolha o make mais legal para a copa. Confira abaixo o make up da Karen Bachini, do E aí beleza?

Até a próxima!

Vai muito além do ciberativismo.

Tudo bem, pessoal?

Bem, ainda linkando com o nosso tema da semana Ciberativismo, encontramos no Facebook a página de Carol Rossetti, nela contem ilustrações sobre o assunto de uma forma divertida com uma forma de quebrar os tabus que a sociedade impõem sobre nós mulheres. Fizemos uma entrevista com ela via Facebook, da só uma olhada no que ela diz:

1. De onde vem a sua inspiração?

A inspiração para essa série sobre mulheres que venho desenhando vem do dia a dia, e do próprio fato de ser mulher. Algumas coisas acontecem comigo, outras com amigas, e outras situações ainda eu leio em relatos de pessoas aleatórias pela internet. E essas pequenas (ou grandes) opressões cotidianas são inúmeras, acho que essa série vai ser infinita… Todo dia as pessoas me mandam sugestões, e contam coisas que elas escutam por aí e acham chato.

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2. Como você ver o ativismo na internet hoje?

Eu acho que tem pontos muito positivo e outros muito negativos. Se por um lado é ótimo que a informação consiga se espalhar quase instantaneamente entre tantas pessoas, é complicado que os dados mal interpretados (ou interpretados desonestamente) também consigam fazer a cabeça de muitas pessoas com a mesma velocidade. Uma frase de efeito desonesta é compartilhada loucamente por pessoas que não checaram a veracidade da informação, e ainda assim formaram uma opinião.10169284_593247064128174_386461621752661412_n

Se é muito bom que abusos de tantas formas gravados em vídeo sejam denunciados para tantas pessoas, eu me pergunto se o pastor Feliciano teria chegado tão longe sem a fama impulsionada pelos compartilhamentos de todos os que o desaprovavam. Vejo isso hoje com minha página: várias pessoas compartilham meus posts, quase sempre elogiando ou reforçando o ponto. Mas de vez em quando tem um que compartilha xingando, tornando minha postagem (até então desconhecida) visível para seus 400 amigos. Talvez uma boa parte desses 400 pensem como ele, mas pode ser que 5 pessoas tenham concordado com o que eu afirmei, e o número de curtidas na minha página aumentou. Isso também acontece com felicianos e bolsonaros. De repente, eles se tornam mais conhecidos do que deviam, e se o número de pessoas que os odeiam aumenta, aumenta também o número de possíveis eleitores, e de repente o cara entra numa eleição para senador… Acho um pouco complicado prever esse efeito.

As redes sociais são ferramentas fantásticas, mas são novas, e a gente ainda está aprendendo a usá-las. Acho natural que a gente vá percebendo aos poucos o tamanho da responsabilidade que temos sobre o que compartilhamos com o mundo.

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3. A mobilização das mulheres hoje em busca dos seus direitos está cada vez mais forte, como você acredita que essa busca pode se fortalecer a cada dia?

Acho que através do diálogo. Mulheres devem conversar com outras mulheres e desenvolver um sentimento de sororidade maior. Diminuir essa competição desenfreada que fomos estimuladas a alimentar desde pequenas. Ouvir o que outras mulheres tem a dizer. Rever nossos privilégios em relação a outras mulheres, e perceber o perigo da transfobia, do racismo, do ableísmo (que não sei bem como traduzir, mas envolve o preconceito com pessoas com deficiência), do elitismo etc. Acho que o diálogo das mulheres com os homens também deve acontecer, homens devem compreender o movimento além dos estereótipos e rever os privilégios. Nada disso é fácil, mas acredito que seja a melhor e mais eficaz maneira de fortalecer a busca por igualdade.

4.Para você o Facebook é uma ferramenta para o ciberativismo feminino?

Claro, sem dúvida. Não apenas o feminino, mas relativo a várias outras causas. Acho que temos que assumir de uma vez por todas que o que acontece na internet não deixa de ser real porque não acontece num plano físico. O virtual é real, porque causa impacto nas pessoas, informa e conscientiza tanto quanto um protesto na rua.

 

ImagemEm suas ilustrações ela define o que tem feito e o seu objetivo:

Essa série de ilustrações que tenho feito tem como tema principal as formas de controle que percebo ser exercido, de diversas formas, sobre o corpo e o comportamento das mulheres. Meu foco é mostrar as tantas maneiras sutis e cotidianas nas quais isso acontece, e que tantas vezes repetimos sem nos dar conta. Meu objetivo é chamar atenção exatamente para as pequenas opressões do dia à dia, e mostrar como são cruéis e sempre presentes. 

Pensei bastante se seria o caso de representar também os casos mais pesados de violência não apenas psicológica, como também física. E no final, cheguei a conclusão que sim. Embora as minhas postagens anteriores (e possivelmente a maior parte das futuras) tenham um conteúdo mais “leve”, acredito que a sociedade já falha o suficiente com a representação das pessoas. E representação é importante, e vou me esforçar para ser sempre abrangente. Não vou excluir os casos de trauma violentos que marcam diariamente a vida de tantas mulheres. Mulheres abusadas, violentadas, estupradas, todas devem ser representadas, sempre. Especialmente quando vejo tantos casos de culpabilização das vítimas. Aproveito o contexto da Marcha das Vadias para reforçar ainda mais essa discussão.

Para conhecer mais o trabalho da Carol Rossetti, dá um pulo no tumblr dela.

Moda e feminismo na rede

A moda é para todos! Por isso o nome moda democrática. Você concorda com essa frase? Você concorda que a moda é democrática?

Todos podem usar, inventar, brincar, seguir, consumir, fazer, acessar ou até não ligar para o que a moda estabelece. Não importa etnia, classe social, situação financeira, tipo físico, gosto, o que importa é se sentir bem, com o seu corpo e com o que você veste.

Falando em corpo, você sabe o que são as modelos Plus Size? A moda plus Size, cada dia que passa, tem mostrado que todas as tendências podem ser adaptadas para quem possui tamanhos maiores, não esquecendo o conforto, elegância e além de tudo o estilo.

PLus Size em inglês significa “tamanho grande”. O conceito foi dado pelos norte americanos para designar todos os tamanhos acima do padrão convencional de medidas, isto é, do 44 a diante. Há alguns anos, tem recebido maior atenção da mídia e da indústria da moda através de algumas marcas que passaram a utilizar modelos plus size em campanhas e desfiles. Essas ações repercutiram no mundo inteiro, uma vez que a maioria da população não veste 38, definitivamente.

No mercado da moda dos anos 80/90, as modelos seguiam um padrão de beleza que, atualmente, é muito questionado. A magreza antigamente era sinônimo de beleza e já foi desejada por milhares de mulheres, hoje surge o conceito e a figura da modelo Plus Size que não é só uma “cheinha com estilo”, mas uma mulher que, tanto quantos as outras, merece ser representada. Esse mercado tem muito o que fazer e melhorar, mas a cada dia conquista o seu espaço. Não podemos negar que hoje a mulher acima do peso já pode se vestir com bom gosto e qualidade e essa seção de sociedade está procurando cada vez mais por isso.

As confecções que atendem o mercado plus size têm investido em tecnologia e pesquisas, buscando junto à clientela respostas para a criação de suas coleções. Podemos afirmar que a internet tem papel crucial na disseminação das modelos plus size, pois as vendas online ampliaram o lucro deste segmento e a própria aceitação de tais manequins.

A verdade é que padrão de beleza é algo muuito discutível, ok? A Jéssica do blog Gorda e Sapatão  concorda conosco. No site ela debate feminismo, negritude e opressões sociais. E para contextualizar com o tema desta semana da COM104 falemos um pouco mais sobre mulheres como Jéssica que não estão na internet a passeio, mas sim para contrapor a visão hegemônica das coisas: o ciberfeminismo tem vozes autênticas, interessadas em discutir assuntos como a inserção da mulher nas ciências computacionais e no mercado de trabalho em geral. Segundo MARTÍNEZ COLLADO E NAVARRETE, 2006 o ciberfeminismo se configura como “uma prática feminista em rede que tem por intuito, tanto politicamente, quanto esteticamente, a construção de novas ordens e desmontagens de velhos mitos da sociedade através do uso da tecnologia”.

Segundo Tânia Navarro, professora da UnB (Universidade de Brasília) o ciberfeminismo sugere que o ciberespaço seja próprio para a articulação feminina. O termo foi apresentado pela primeira vez em 1991 pelo grupo ativista australiano VNS Matrix na divulgação do Manisfesto Ciberfeminista para o século XXI, em homenagem à Donna Haraway, feminista “pós-moderna” (se assim pudermos chamá-la), autora do Manifesto Ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, de 1984. Haraway propõe o rompimento com o marxismo e o feminismo radical para que sejam adotadas políticas de afinidade, quebrando as ideias de gênero, raça e cor naturalizadas (Blog BR.ADA).

No entanto, o ciberfeminismo não é algo isolado: ele está inserido no contexto maior do ciberativismo um termo recente e consiste na utilização da internet por grupos politicamente motivados que buscam difundir informações e reivindicações sem qualquer elemento intermediário com o objetivo de buscar apoio, debater e trocar informação, organizar e mobilizar indivíduos para ações, dentro e fora da rede. (Site UOL Vestibular). Exemplo recente do ciberativismo, o jornalista australiano Julian Assange publicou informações sigilosas sobre o governo de vários países, incluindo os Estados Unidos e a Guerra do Afeganistão através do site Wikileaks, o que gerou muito alvoroço: o cara é processado pelo governo dos EUA, mas também foi considerado em 2011, pela revista Time, um dos 100 homens mais influentes do planeta.

Já que o assunto é a fuga dos padrões, uma curiosidade:  a Repórter Brasil desenvolveu um aplicativo (leia mais) no qual você pode ver avaliação de marcas grandes e pequenas quanto ao uso de trabalho escravo para fabricação de roupas. O Greenpeace, recentemente, desenvolveu uma campanha para que as marcas mais populares do mundo em vestuário e calçados deixem de eliminar resíduos tóxicos na linha de produção. O movimento Detox já atinge um milhão e meio de pessoas, muitas das quais através da internet ao assinar o Manifesto Moda Detox. Veja o vídeo abaixo.

Aqui no Brasil também há o CEMINA (Comunicação, Educação e Informação em Gênero) desde a década de 80 com o objetivo de oferecer às mulherres um espaço de fala transdisciplinar através do rádio. A instituição possui um ótimo acervo de publicações e prêmios. Leia mais aqui.

Para finalizar, vejamos alguns trabalhos de artistas alinhadas às idéias ciberfeministas: as Old Boys Networks e Helga Stein (brasileira). Não é moda, mas é arte e não dá para negar que as duas caminham lado a lado.

Foto da exposição Andros Herts, da artista Helga Stein questiona a identidade e o referente na fotografia. Fonte: Incorporeos.

Foto da exposição Andros Herts, da artista Helga Stein questiona a identidade e o referente na fotografia. Fonte: Incorporeos.

 

Imagem das Old Boys Network. O meio é a mensagem. Na moda também é assim - você é o que veste. Fonte obn.org

Imagem das Old Boys Network. O meio é a mensagem. Na moda também é assim – você é o que veste. Fonte obn.org

Até a próxima!