Vai muito além do ciberativismo.

Tudo bem, pessoal?

Bem, ainda linkando com o nosso tema da semana Ciberativismo, encontramos no Facebook a página de Carol Rossetti, nela contem ilustrações sobre o assunto de uma forma divertida com uma forma de quebrar os tabus que a sociedade impõem sobre nós mulheres. Fizemos uma entrevista com ela via Facebook, da só uma olhada no que ela diz:

1. De onde vem a sua inspiração?

A inspiração para essa série sobre mulheres que venho desenhando vem do dia a dia, e do próprio fato de ser mulher. Algumas coisas acontecem comigo, outras com amigas, e outras situações ainda eu leio em relatos de pessoas aleatórias pela internet. E essas pequenas (ou grandes) opressões cotidianas são inúmeras, acho que essa série vai ser infinita… Todo dia as pessoas me mandam sugestões, e contam coisas que elas escutam por aí e acham chato.

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2. Como você ver o ativismo na internet hoje?

Eu acho que tem pontos muito positivo e outros muito negativos. Se por um lado é ótimo que a informação consiga se espalhar quase instantaneamente entre tantas pessoas, é complicado que os dados mal interpretados (ou interpretados desonestamente) também consigam fazer a cabeça de muitas pessoas com a mesma velocidade. Uma frase de efeito desonesta é compartilhada loucamente por pessoas que não checaram a veracidade da informação, e ainda assim formaram uma opinião.10169284_593247064128174_386461621752661412_n

Se é muito bom que abusos de tantas formas gravados em vídeo sejam denunciados para tantas pessoas, eu me pergunto se o pastor Feliciano teria chegado tão longe sem a fama impulsionada pelos compartilhamentos de todos os que o desaprovavam. Vejo isso hoje com minha página: várias pessoas compartilham meus posts, quase sempre elogiando ou reforçando o ponto. Mas de vez em quando tem um que compartilha xingando, tornando minha postagem (até então desconhecida) visível para seus 400 amigos. Talvez uma boa parte desses 400 pensem como ele, mas pode ser que 5 pessoas tenham concordado com o que eu afirmei, e o número de curtidas na minha página aumentou. Isso também acontece com felicianos e bolsonaros. De repente, eles se tornam mais conhecidos do que deviam, e se o número de pessoas que os odeiam aumenta, aumenta também o número de possíveis eleitores, e de repente o cara entra numa eleição para senador… Acho um pouco complicado prever esse efeito.

As redes sociais são ferramentas fantásticas, mas são novas, e a gente ainda está aprendendo a usá-las. Acho natural que a gente vá percebendo aos poucos o tamanho da responsabilidade que temos sobre o que compartilhamos com o mundo.

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3. A mobilização das mulheres hoje em busca dos seus direitos está cada vez mais forte, como você acredita que essa busca pode se fortalecer a cada dia?

Acho que através do diálogo. Mulheres devem conversar com outras mulheres e desenvolver um sentimento de sororidade maior. Diminuir essa competição desenfreada que fomos estimuladas a alimentar desde pequenas. Ouvir o que outras mulheres tem a dizer. Rever nossos privilégios em relação a outras mulheres, e perceber o perigo da transfobia, do racismo, do ableísmo (que não sei bem como traduzir, mas envolve o preconceito com pessoas com deficiência), do elitismo etc. Acho que o diálogo das mulheres com os homens também deve acontecer, homens devem compreender o movimento além dos estereótipos e rever os privilégios. Nada disso é fácil, mas acredito que seja a melhor e mais eficaz maneira de fortalecer a busca por igualdade.

4.Para você o Facebook é uma ferramenta para o ciberativismo feminino?

Claro, sem dúvida. Não apenas o feminino, mas relativo a várias outras causas. Acho que temos que assumir de uma vez por todas que o que acontece na internet não deixa de ser real porque não acontece num plano físico. O virtual é real, porque causa impacto nas pessoas, informa e conscientiza tanto quanto um protesto na rua.

 

ImagemEm suas ilustrações ela define o que tem feito e o seu objetivo:

Essa série de ilustrações que tenho feito tem como tema principal as formas de controle que percebo ser exercido, de diversas formas, sobre o corpo e o comportamento das mulheres. Meu foco é mostrar as tantas maneiras sutis e cotidianas nas quais isso acontece, e que tantas vezes repetimos sem nos dar conta. Meu objetivo é chamar atenção exatamente para as pequenas opressões do dia à dia, e mostrar como são cruéis e sempre presentes. 

Pensei bastante se seria o caso de representar também os casos mais pesados de violência não apenas psicológica, como também física. E no final, cheguei a conclusão que sim. Embora as minhas postagens anteriores (e possivelmente a maior parte das futuras) tenham um conteúdo mais “leve”, acredito que a sociedade já falha o suficiente com a representação das pessoas. E representação é importante, e vou me esforçar para ser sempre abrangente. Não vou excluir os casos de trauma violentos que marcam diariamente a vida de tantas mulheres. Mulheres abusadas, violentadas, estupradas, todas devem ser representadas, sempre. Especialmente quando vejo tantos casos de culpabilização das vítimas. Aproveito o contexto da Marcha das Vadias para reforçar ainda mais essa discussão.

Para conhecer mais o trabalho da Carol Rossetti, dá um pulo no tumblr dela.

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Moda e feminismo na rede

A moda é para todos! Por isso o nome moda democrática. Você concorda com essa frase? Você concorda que a moda é democrática?

Todos podem usar, inventar, brincar, seguir, consumir, fazer, acessar ou até não ligar para o que a moda estabelece. Não importa etnia, classe social, situação financeira, tipo físico, gosto, o que importa é se sentir bem, com o seu corpo e com o que você veste.

Falando em corpo, você sabe o que são as modelos Plus Size? A moda plus Size, cada dia que passa, tem mostrado que todas as tendências podem ser adaptadas para quem possui tamanhos maiores, não esquecendo o conforto, elegância e além de tudo o estilo.

PLus Size em inglês significa “tamanho grande”. O conceito foi dado pelos norte americanos para designar todos os tamanhos acima do padrão convencional de medidas, isto é, do 44 a diante. Há alguns anos, tem recebido maior atenção da mídia e da indústria da moda através de algumas marcas que passaram a utilizar modelos plus size em campanhas e desfiles. Essas ações repercutiram no mundo inteiro, uma vez que a maioria da população não veste 38, definitivamente.

No mercado da moda dos anos 80/90, as modelos seguiam um padrão de beleza que, atualmente, é muito questionado. A magreza antigamente era sinônimo de beleza e já foi desejada por milhares de mulheres, hoje surge o conceito e a figura da modelo Plus Size que não é só uma “cheinha com estilo”, mas uma mulher que, tanto quantos as outras, merece ser representada. Esse mercado tem muito o que fazer e melhorar, mas a cada dia conquista o seu espaço. Não podemos negar que hoje a mulher acima do peso já pode se vestir com bom gosto e qualidade e essa seção de sociedade está procurando cada vez mais por isso.

As confecções que atendem o mercado plus size têm investido em tecnologia e pesquisas, buscando junto à clientela respostas para a criação de suas coleções. Podemos afirmar que a internet tem papel crucial na disseminação das modelos plus size, pois as vendas online ampliaram o lucro deste segmento e a própria aceitação de tais manequins.

A verdade é que padrão de beleza é algo muuito discutível, ok? A Jéssica do blog Gorda e Sapatão  concorda conosco. No site ela debate feminismo, negritude e opressões sociais. E para contextualizar com o tema desta semana da COM104 falemos um pouco mais sobre mulheres como Jéssica que não estão na internet a passeio, mas sim para contrapor a visão hegemônica das coisas: o ciberfeminismo tem vozes autênticas, interessadas em discutir assuntos como a inserção da mulher nas ciências computacionais e no mercado de trabalho em geral. Segundo MARTÍNEZ COLLADO E NAVARRETE, 2006 o ciberfeminismo se configura como “uma prática feminista em rede que tem por intuito, tanto politicamente, quanto esteticamente, a construção de novas ordens e desmontagens de velhos mitos da sociedade através do uso da tecnologia”.

Segundo Tânia Navarro, professora da UnB (Universidade de Brasília) o ciberfeminismo sugere que o ciberespaço seja próprio para a articulação feminina. O termo foi apresentado pela primeira vez em 1991 pelo grupo ativista australiano VNS Matrix na divulgação do Manisfesto Ciberfeminista para o século XXI, em homenagem à Donna Haraway, feminista “pós-moderna” (se assim pudermos chamá-la), autora do Manifesto Ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, de 1984. Haraway propõe o rompimento com o marxismo e o feminismo radical para que sejam adotadas políticas de afinidade, quebrando as ideias de gênero, raça e cor naturalizadas (Blog BR.ADA).

No entanto, o ciberfeminismo não é algo isolado: ele está inserido no contexto maior do ciberativismo um termo recente e consiste na utilização da internet por grupos politicamente motivados que buscam difundir informações e reivindicações sem qualquer elemento intermediário com o objetivo de buscar apoio, debater e trocar informação, organizar e mobilizar indivíduos para ações, dentro e fora da rede. (Site UOL Vestibular). Exemplo recente do ciberativismo, o jornalista australiano Julian Assange publicou informações sigilosas sobre o governo de vários países, incluindo os Estados Unidos e a Guerra do Afeganistão através do site Wikileaks, o que gerou muito alvoroço: o cara é processado pelo governo dos EUA, mas também foi considerado em 2011, pela revista Time, um dos 100 homens mais influentes do planeta.

Já que o assunto é a fuga dos padrões, uma curiosidade:  a Repórter Brasil desenvolveu um aplicativo (leia mais) no qual você pode ver avaliação de marcas grandes e pequenas quanto ao uso de trabalho escravo para fabricação de roupas. O Greenpeace, recentemente, desenvolveu uma campanha para que as marcas mais populares do mundo em vestuário e calçados deixem de eliminar resíduos tóxicos na linha de produção. O movimento Detox já atinge um milhão e meio de pessoas, muitas das quais através da internet ao assinar o Manifesto Moda Detox. Veja o vídeo abaixo.

Aqui no Brasil também há o CEMINA (Comunicação, Educação e Informação em Gênero) desde a década de 80 com o objetivo de oferecer às mulherres um espaço de fala transdisciplinar através do rádio. A instituição possui um ótimo acervo de publicações e prêmios. Leia mais aqui.

Para finalizar, vejamos alguns trabalhos de artistas alinhadas às idéias ciberfeministas: as Old Boys Networks e Helga Stein (brasileira). Não é moda, mas é arte e não dá para negar que as duas caminham lado a lado.

Foto da exposição Andros Herts, da artista Helga Stein questiona a identidade e o referente na fotografia. Fonte: Incorporeos.

Foto da exposição Andros Herts, da artista Helga Stein questiona a identidade e o referente na fotografia. Fonte: Incorporeos.

 

Imagem das Old Boys Network. O meio é a mensagem. Na moda também é assim - você é o que veste. Fonte obn.org

Imagem das Old Boys Network. O meio é a mensagem. Na moda também é assim – você é o que veste. Fonte obn.org

Até a próxima!