Moda e feminismo na rede

A moda é para todos! Por isso o nome moda democrática. Você concorda com essa frase? Você concorda que a moda é democrática?

Todos podem usar, inventar, brincar, seguir, consumir, fazer, acessar ou até não ligar para o que a moda estabelece. Não importa etnia, classe social, situação financeira, tipo físico, gosto, o que importa é se sentir bem, com o seu corpo e com o que você veste.

Falando em corpo, você sabe o que são as modelos Plus Size? A moda plus Size, cada dia que passa, tem mostrado que todas as tendências podem ser adaptadas para quem possui tamanhos maiores, não esquecendo o conforto, elegância e além de tudo o estilo.

PLus Size em inglês significa “tamanho grande”. O conceito foi dado pelos norte americanos para designar todos os tamanhos acima do padrão convencional de medidas, isto é, do 44 a diante. Há alguns anos, tem recebido maior atenção da mídia e da indústria da moda através de algumas marcas que passaram a utilizar modelos plus size em campanhas e desfiles. Essas ações repercutiram no mundo inteiro, uma vez que a maioria da população não veste 38, definitivamente.

No mercado da moda dos anos 80/90, as modelos seguiam um padrão de beleza que, atualmente, é muito questionado. A magreza antigamente era sinônimo de beleza e já foi desejada por milhares de mulheres, hoje surge o conceito e a figura da modelo Plus Size que não é só uma “cheinha com estilo”, mas uma mulher que, tanto quantos as outras, merece ser representada. Esse mercado tem muito o que fazer e melhorar, mas a cada dia conquista o seu espaço. Não podemos negar que hoje a mulher acima do peso já pode se vestir com bom gosto e qualidade e essa seção de sociedade está procurando cada vez mais por isso.

As confecções que atendem o mercado plus size têm investido em tecnologia e pesquisas, buscando junto à clientela respostas para a criação de suas coleções. Podemos afirmar que a internet tem papel crucial na disseminação das modelos plus size, pois as vendas online ampliaram o lucro deste segmento e a própria aceitação de tais manequins.

A verdade é que padrão de beleza é algo muuito discutível, ok? A Jéssica do blog Gorda e Sapatão  concorda conosco. No site ela debate feminismo, negritude e opressões sociais. E para contextualizar com o tema desta semana da COM104 falemos um pouco mais sobre mulheres como Jéssica que não estão na internet a passeio, mas sim para contrapor a visão hegemônica das coisas: o ciberfeminismo tem vozes autênticas, interessadas em discutir assuntos como a inserção da mulher nas ciências computacionais e no mercado de trabalho em geral. Segundo MARTÍNEZ COLLADO E NAVARRETE, 2006 o ciberfeminismo se configura como “uma prática feminista em rede que tem por intuito, tanto politicamente, quanto esteticamente, a construção de novas ordens e desmontagens de velhos mitos da sociedade através do uso da tecnologia”.

Segundo Tânia Navarro, professora da UnB (Universidade de Brasília) o ciberfeminismo sugere que o ciberespaço seja próprio para a articulação feminina. O termo foi apresentado pela primeira vez em 1991 pelo grupo ativista australiano VNS Matrix na divulgação do Manisfesto Ciberfeminista para o século XXI, em homenagem à Donna Haraway, feminista “pós-moderna” (se assim pudermos chamá-la), autora do Manifesto Ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, de 1984. Haraway propõe o rompimento com o marxismo e o feminismo radical para que sejam adotadas políticas de afinidade, quebrando as ideias de gênero, raça e cor naturalizadas (Blog BR.ADA).

No entanto, o ciberfeminismo não é algo isolado: ele está inserido no contexto maior do ciberativismo um termo recente e consiste na utilização da internet por grupos politicamente motivados que buscam difundir informações e reivindicações sem qualquer elemento intermediário com o objetivo de buscar apoio, debater e trocar informação, organizar e mobilizar indivíduos para ações, dentro e fora da rede. (Site UOL Vestibular). Exemplo recente do ciberativismo, o jornalista australiano Julian Assange publicou informações sigilosas sobre o governo de vários países, incluindo os Estados Unidos e a Guerra do Afeganistão através do site Wikileaks, o que gerou muito alvoroço: o cara é processado pelo governo dos EUA, mas também foi considerado em 2011, pela revista Time, um dos 100 homens mais influentes do planeta.

Já que o assunto é a fuga dos padrões, uma curiosidade:  a Repórter Brasil desenvolveu um aplicativo (leia mais) no qual você pode ver avaliação de marcas grandes e pequenas quanto ao uso de trabalho escravo para fabricação de roupas. O Greenpeace, recentemente, desenvolveu uma campanha para que as marcas mais populares do mundo em vestuário e calçados deixem de eliminar resíduos tóxicos na linha de produção. O movimento Detox já atinge um milhão e meio de pessoas, muitas das quais através da internet ao assinar o Manifesto Moda Detox. Veja o vídeo abaixo.

Aqui no Brasil também há o CEMINA (Comunicação, Educação e Informação em Gênero) desde a década de 80 com o objetivo de oferecer às mulherres um espaço de fala transdisciplinar através do rádio. A instituição possui um ótimo acervo de publicações e prêmios. Leia mais aqui.

Para finalizar, vejamos alguns trabalhos de artistas alinhadas às idéias ciberfeministas: as Old Boys Networks e Helga Stein (brasileira). Não é moda, mas é arte e não dá para negar que as duas caminham lado a lado.

Foto da exposição Andros Herts, da artista Helga Stein questiona a identidade e o referente na fotografia. Fonte: Incorporeos.

Foto da exposição Andros Herts, da artista Helga Stein questiona a identidade e o referente na fotografia. Fonte: Incorporeos.

 

Imagem das Old Boys Network. O meio é a mensagem. Na moda também é assim - você é o que veste. Fonte obn.org

Imagem das Old Boys Network. O meio é a mensagem. Na moda também é assim – você é o que veste. Fonte obn.org

Até a próxima!