Rolezinhos: a mobilidade social

Ei, pessoas! Já falamos aqui que a moda é constituída de um monte de coisas ressignificadas e que tudo depende do uso que se faz dela. A geografia tem alguns conceitos que combinam com este assunto, por exemplo, o de espaço. Segundo GOMES (2002 p172) “o espaço compõe-se pela dialética entre a disposição das coisas e as ações ou práticas sociais”. Para Milton Santos, ele é um conjunto indissociável de sistema de objetos e sistema de ações, formas existentes a partir dos usos e significados a elas atribuído.

Algo que virou moda há algum tempo foram os rolezinhos, fenômeno que deriva da utilização da rede social Facebook. Segundo a Enciclopédia online Wikipedia,  “Rolezinho (diminutivo de rolê ou rolé, em linguagem informal brasileira, significa “fazer um pequeno passeio” ou “dar uma volta”) é um neologismo para definir um tipo de flash mob ou coordenação de encontros simultâneos de centenas de pessoas em locais como praças, parques públicos e shopping centers. Os encontros são marcados pela internet, quase sempre por meio de redes sociais como o Facebook.” Veja, rolezinho é um ótimo exemplo de personificação do lugar. Você vai ao shopping, sobretudo, para dizer que foi. Você territorializa, minimamente, aquele espaço com signos individuais e símbolos mediatizados.

 

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Fonte: Site Uol

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Fonte: Site Meio Norte

Para marcar um Rolezinho, é utilizada a ferramenta “eventos” do Facebook. Alguém cria o evento, convida as pessoas e marca o ponto de encontro no shopping e o horário. As pessoas que confirmam geralmente se esperam no local determinado e quando começa a se formar um grupo com um número significativo de pessoas, eles começam a passear pelos corredores. Geralmente são adolescentes, moram em bairros periféricos e gostam de postar, simultaneamente, fotos de selfies nas redes sociais.

 

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Fonte: Site Datasafe

rolezinho-no-mauá-plaza-shopping-renato-mendes-futura-pressFonte: Blog Radar On-line

 Assista a essa charge super divertida, criada por Maurício Ricardo sobre um diálogo de Dilma, um interprete e um dos líderes dos Rolezinhos.

http://charges.uol.com.br/2014/01/21/cotidiano-pra-entender-o-movimento/

E não podíamos deixar de comentar o look que as Rolezeiras escolher para “colar” nesses encontros! “Short, tomara-que-caia e melissa”, diz uma delas nessa reportagem, publicada no dia 20 de janeiro desse ano, para a Uol Notícias. Elas querem “zoar”, paquerar e “arranjar alguém bonito” e para isso elas procuram estar na moda e sensualizar. Segundo outra Rolezeira, o “Gato do rolé” tem usar uma bermuda branca, um Nike Shoks, uma camisa da Hollister e um boné.

http://http://tvuol.uol.com.br/video/voce-conhece-as-rolezeiras-descubra-quem-sao-e-o-que-pensam-essas-meninas-04024E9B3162CCC14326/

Infelizmente existem jovens de má fé que se aproveitam desses encontros para roubar e tumultuar. Quem sofre com isso, não são somente os seguranças e os outros frequentadores, mas a outra porção de adolescentes que querem apenas se conhecer e sair das redes sociais nas tardes do final de semana!

Provavelmente a decisão de marcar em shopping é pensando nas vantagens que esses locais oferecem: são climatizados, há praças de alimentação e internet wifi. O que tem de errado? Que venham mais Rolezinhos, que os jovens saiam para se conhecer e paquerar, não há nada de mais saudável.